sexta-feira, 5 de junho de 2009

Incerteza




Sem mais nem menos
Tudo muda
Inevitável e doloroso
E como se nunca tivesse acontecido
Tudo volta ao normal
O timing perfeito
A hora do choro
A hora do sorriso
Nunca chega
-
Esse desleixo me prejudica
Meu olhar é mais que isso
Eu te amos ditos
Abraços apertados
Futilidades passageiras
Curas temporárias
Para nada mais
Que pura preocupação
-
Desleixo que perfura
Noites de sono impotentes
Perante um caos invisível
Tão fácil de achar
Tão fácil de perder
Dois corpos tão perto
Com dois corações tão longe
Toques perfeitos
Dois verdadeiros amantes
Mas a separação chega
A incerteza toma conta
-
Seu deleixo passa batido
Fico invisível
Desapareço parcialmente
Nossos corpos nada mais importam
Você segue sua vida desleixada
E eu cubro minhas feridas despercebidas









~* Agradecimetos ao meu amigão Rodrigo Sioly, que me incentivou a pôr para fora meus sentimentos poeticamente...
Aqui vai um selinho pro blog dele!


http://www.rodrigosioly.blogspot.com/







Beijos a todos!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Maldito seja o Murphy!

Hoje postarei uma coisa mais light, até porque meus neurônios vão ficar um tempo se recuperando de uma semana absolutamente catastrófica... catastrófica não só graças a ele, óbvio, mas com um toque especial!


- 4 trabalhos para entregar, todos valendo nota de prova, nenhum feito. Essa estatística já dá pra se ter uma noção né? Pois é... isso não basta de forma alguma para 'ele'! Computador quebrado, impressora com defeito, sujeitos de pesquisa que dormem cedo, professora filha da puta, despertador que tem vontade própria, tabelas extremamente necessárias que foram explicadas exatamente naquele dia que faltei, laboratório de informática ocupado, namorado com problema de memória, material a quilômetros de distância, bem naquele lugar que você pensa: 'aqui eu não esqueço!', falta de dinheiro pra comer, noite de chuva sem blusa de frio e as 2 alunas que não possuem computador são uma dupla... Isso que é adrenalina no sangue! Uma sucessão de fatos, um pior que o outro... Nem preciso mencionar os cochilos que tive no lugar de uma noite de sono, que só redescobri na noite do último domingo...


Ok, sobrevivi a esse maldito duma figa. Massss... Tudo seria mais fácil sem o Reino Imponente desta Lei que nos rege! Sim, óbvio que me refiro a Lei de Murphy! Todos já se depararam com momentos totalmente auto-explicativos desta lei...
O ser humano precisa de justficativas externas para explicar e confortar seus próprios dramas, medos e erros, do contrário, não haveria utilidade de religiões, mas isso é uma outra história, bem longa por sinal... Mas se todos podem explicar os acontecimentos como fatos externos, quase inevitáveis e inexplicáveis, tirando de si a responsabiliade, então eu também posso e irei fazer isso:
Foi a Lei de Murph
y!!!! Não tenho nada a ver com isso, não fui eu! Eu juro-por-tudo que foi ela!



A Lei de Murphy nasceu a partir do resultado de um teste de tolerância à força g por seres humanos, feito pelo engenheiro aeroespacial norte-americano Edward A. Murphy. Ele deveria apresentar os resultados do teste. Contudo, os sensores que deveriam registrá-lo falharam exatamente na hora! Murphy frustrado, desenvolveu a seguinte Lei:

"Se existe mais de uma maneira de se executar uma tarefa, e alguma dessas maneiras resultar num desastre, certamente será a maneira escolhida por alguém para executá-la."


Inspirada nessa última semana, onde a alma de Murphy praticamente se hospedou no meu quarto e não largou de mim até o final de semana, achei algumas variáveis oriundas da Lei de Murphy, que fazem o maior sentido:


- Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da piormaneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.
- Toda partícula
que voa sempre encontra um olho.
- Quando um trab
alho é mal feito, qualquer tentativa de melhorá-lo piora.
- Um atalho é semp
re a distância mais longa entre dois pontos.
- Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
- Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.
- Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguirdriblá-las, uma quinta surgirá do nada.

- Seja qual for o resultado, haverá sempre alguém para:
a) interpretá-lo mal
.
b) falsificá-lo.
c) dizer que já o tinha previsto emseu último relatório.
- Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.
- Se você tem alguma coisa há muito tempo, pode jogar fora. Se você jogarfora alguma coisa que tem há muito tempo, vai precisar dela logo, logo.
- Você sempre e
ncontra aquilo que não está procurando.
- Quando te ligam:

a) se você tem caneta, não tem papel.
b) se tem papel não tem caneta.
c) se tem ambos ning
uém liga.
- Entre dois acontecimentos prováveis, sempre acontece um improvável.
- Quase tudo é mais fácil de enfiar do que de tirar.
- Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda provocará mais destruição do que se deixássemos o objeto
cair naturalmente.
- Nenhum patrão mantém um empregado que está certo o tempo todo.
- Toda solução cria n
ovos problemas.
- Você nunca vai pegar engarrafamento ou sinal fec
hado se saiu cedo demais para algum lugar.
- Os assuntos mais simples são aqueles dos quais você não entende nada.
- Se você é capaz de distinguir entre o bom e o mal conselho, então vocênão precisa de conselho.
- O trabalho mais chato é também o que menos paga.
- Errar é humano. Perd
oar não é a política da empresa.
- Toda a idéia revolucionária provoca três estágios:
1º. é impossível - não perca meu tempo.
2º. é possível, mas não vale o esforço
3º. eu sempre disse que era uma boa idéia.
- Inteligência tem limite. Burrice não.
- Seis fases de um projeto: Entusiasmo; Desilusão; Pânico; Busca dosculpados; Pun
ição dos inocentes; Glória aos não participantes.
- Conversas sérias, que são necessárias, só acontecem quando você está com pressa.
- Pais que te amam não te deixam fazer nada. Pais liberais, não estão nemai para você.
- Assim que tiver esgotado todas as suas possibilidades e confessado seufracasso, haverá uma solução simples e óbvia, claramente visível a qualqueroutro idiota.

- Crianças nunca ficam quietas para tirar fotos, e ficam absolutamenteimóveis diante de uma câmera filmadora.
- Nenhuma criança limpa quer colo.
- A ferramenta quando cai no chão sempre rola para o canto maisinacessível do aposento. A caminho do canto, a ferramenta acerta primeiro oseu dedão.
- Guia prático para a ciência moderna:
a) Se se mexe, pertence à biologia.

b) Se fede, pertence à química.
c) Se não funciona, pertence à física.
d) Se ninguém entende, é matemática.
e) Se não faz sentido, é psicologia.
- Seja qual for o defeito do seu computador, ele vai desaparecer na frentede um técnico, retornando assim que ele se retirar.
- Se ele está te dando mole, é feio. Se é bonito, está acompanhado. Seestá sozinho, você está acompanhada.
- Se o curso que você desejava fazer só tem n vagas, pode ter certeza deque você será o candidato n + 1 a tentar se matricular.

- Oitenta por cento do exame final que você prestará, será baseado naúnica aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.
- Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o quefazer, senão estudar a matéria dele.
- A citação mais valiosa para a sua redação será aquela em que você nãoconsegue lembrar o nome do autor.
- Caras legais são feios. Caras bonitos não são legais. Caras bonitos elegais são gays.
- Tudo é possível. Apenas não muito provável.
- A vida é uma droga. E você ainda reencarna.
- Se está escrito "Tamanho Único", é porque não serve em ninguém.
- Se o sapato serve, é feio!
- Nunca há horas suficientes em um dia, mas sempre há muitos dias antes dosábado.
- Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.
- A informação mais necessária é sempre a menos disponível.
- A probabilidade do pão cair com o lado da manteiga virado para baixo éproporcional ao valor do carpete.
- Confiança é aquele sentimento que você tem antes de compreender asituação.
- A fila do lado s-e-m-p-r-e anda mais rápido.
- Nada é tão ruim que não possa piorar.
- O material é danificado segundo a proporção direta do seu valor.
- Se você está se sentindo bem, não se preocupe. Isso passa.
- Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda, e o que não sai.
- Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
- Números errados nunca estão ocupados.
- Se você não está confuso, não está prestando atenção.
- Na guerra, o inimigo ataca em duas ocasiões: quando ele está preparado,e quando você não está.
- Tudo que começa bem, termina mal. Tudo que começa mal, termina pior.
- Amigos vêm e se vão, inimigos se acumulam.
- "Pilhas não incluídas"...
- Você só precisará de um documento quando, espontaneamente, ele se mover do lugar que você o deixou para o lugar onde você não irá encontrá-lo.



Achei essas 'filosofias diárias' no site (que por sinal, é legalzinho!):

www.humornaciencia.com.br


BeJuh®!

quarta-feira, 6 de maio de 2009



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- Vamos brincar de pega-pega?
- Vamos! Com quem q tá?

- Comigonãomorreeeu!

- AAAAh, tá com você!
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Em um domingo completamente comum, estava entretida com a ala infantil no quintal da nossa avó (clichê não?), até que algo me chama a atenção... era um olhar perplexo, nitidamente direcionado a mim, que não vinha de nenhum dos baixinhos, e sim do outro lado, ao pé da escada onde ele estava lá, parado, boquiaberto: um adulto. Hesitei alguns momentos até entender o que havia errado comigo para despertar tal olhar, mas mal eu tinha compreendido e ele se tornou divertido. Isso somado a um leve movimento de negação da cabeça... tudo virou um tipo de desaprovação engraçada... Ruborizei quando a compreensão finalmente chegou. Por alguma razão, me senti mal, aquele tipo de vergonha que dá quando eu falo alguma coisa pessoal demais acidentalmente na frente de pessoas que não deveriam estar ouvindo aquilo... constrangedor.

Como eu não tenho força de vontade nenhuma para conseguir parar de brincar com crianças, deixei pra lá naquele momento. Mais tarde, ainda na casa, quase todos cochilavam, inclusive os pequenos, exceto eu. Aquela cena da manhã veio à mente.Que mundo é esse em que vivemos, em que um adulto brincando bobo e feliz é olhado incredulamente, quando pais matando seus filhos são vistos com nada vez mais naturalidade no jornal da noite? Que lugar é esse que políticos roubando descaradamente o dinheiro público são menos esquisitos do que um adulto se lambuzando enquanto come um doce sentado no tapete da sala?
Nos tornamos todos homens civilizados caminhando por aí. Mas todos de olhos vendados, preocupando-se somente com os próprios tombos, seguindo em linha reta.

Nossa única e solitária linha reta.

Aprendemos como nos portar diante do mundo, aprendemos todas as regras, o que é certo e o que é errado, português, matemática, química, geografia... E desaprendemos a escutar, a se expressar, a tentar fazer a diferença... "Ado, ado, ado, cada um no seu quadrado...". Vemos coisas ultrajantes, ofensivas, deploráveis... isso realmente nos toca de alguma forma... mas o que fazemos a seguir? Mudamos de canal, mudamos de assunto, ou simplesmente encerramos com alguma piadinha. Esse conformismo impulsiona cada um dos vendados em direção a um abismo. O que falta para tirar essa venda de uma vez por todas? Estamos esperando um sinal? Quando começar a ventar muito nessa escuridão cega, é tarde demais. Você está caindo no abismo.
Não sou muito a fim de ventos fortes. Registro aqui minhas tentativas de romper esse nó da faixa que obscurece minha visão, para me tornar realmente consciente, e pegar pela mão quantos eu puder para arrancar quantas vendas meus braços alcançarem e ser livre para brincar de pega-pega, ver Chaves e sujar a cara toda de brigadeiro... em um lugar que brincar é normal e matar e roubar é incomum...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Eu e Tu




- "O mundo é duplo para o homem, segundo a dualidade de sua atitude.
A atitude do homem é dupla de acordo com a dualidade das palavras-princípio que ele pode proferir.
As palavras-princípio não são vocábulos isolados, mas pares de vocábulos.
Uma palavra-princípio é o par EU-TU. A outra é o par EU-ISSO no qual, sem que seja alterada a palavra-princípio, pode-se substituir ISSO por ELE ou ELA.
Deste modo, o EU do homem é também duplo.
A palavra-prinícipio EU-TU só pode ser proferida pelo ser na sua totalidade.
A palavra-princípio EU-ISSO não pode ser jamais proferida pelo ser em uma totalidade.
Aquele que diz TU não tem coisa alguma por objeto. Pois, onde há uma coisa há também outra coisa; cada ISSO é limitado por outro ISSO. Na medida em que se profere o TU, coisa alguma existe. O TU não se confina a nada. Quem diz TU não possui coisa alguma, não possui nada. Ele permanece em relação."

- "Eu considero uma árvore.
Posso apreendê-la como uma imagem. Coluna rígida sob o impacto da luz, ou o verdor resplandescente repleto de suavidade pelo azul prateado que lhe serve de fundo.
Posso sentí-la como movimento: filamento fluente de vasos unidos a um núcleo palpitante, sucção de raízes, respiração de folhas, permuta incessante de terra e ar, e mesmo o próprio desenvolvimento obscuro.
Eu posso classificá-la numa espécie e observá-la como exemplar de um tipo de estrutura e vida.
Eu posso dominar tão radicalmente sua presença e sua forma que não reconheço mais nela senão a expressão de uma lei, de leis segundo as quais um contínuo conflito de forças é sempre solucionado ou de leis que regem a composição e a decomposição das substâncias.
Eu posso volatilizá-la e eternizá-la, tornando-a número, uma mera relação numérica.
A árvore permanece, em todas estas perspectivas, o meu objeto tem seu espaço e seu tempo, mantém sua natureza e sua composição.Entretanto pode acontecer que simultaneamente, por vontade própria e por uma graça, ao observar a árvore, eu seja levado a entrar em relação com ela; ela já não é mais um ISSO. A força de sua exclusividade apoderou-se de mim.Não devo renunciar a nenhum dos modos de minha consideração. De nada devo abstrair-me para vê-la, não há nenhum acontecimento do quel devo me esquecer. Ao contrário, imagem e movimento, espécie e exemplar, lei e número estão indissoluvelmente unidos nessa relação.Tudo o que pertende à árvore, sua forma, seu mecanismo, sua cor e suas substâncias químicas, sua "conversação" com os elementos do mundo e com as estrelas, tudo está incluído numa totalidade. A árvore não é uma impressão, um jogo de minha representação ou um valor emotivo. Ela se apresenta "em pessoa" diante de mim e tem algo a ver comigo e, eu, se bem que de modo diferente, tenho algo a ver com ela.Que ninguém tente debilitar o sentido da relação: relação é reciprocidade.Teria então a nossa árvore uma consciência semelhante à nossa? Não posso experienciar isso. Mas quereis novamente decompor o indecomponível só porque a experiência parece ter sido bem sucedido convosco? Não é a alma da árvore ou sua dríade que se apresenta a mim, é ela mesma."


- "O homem não é uma coisa entre coisas ou formado por coisas quando, estando eu presente diante dele, que já é meu TU, endereço-lhe a palavra-princípio. Ele não é um simples ELE ou ELA limitado por outros ELES ou ELAS, um ponto inscrito na rede do universo de espaço e tempo. Ele não é uma qualidade, um modo de ser, experienciar, descritível, um feixe flácido de qualidade definidas. Ele é TU, sem limites, sem costuras, preenchendo todo o horizonte. Isto não significa que nada mais existe a não ser ele, mas que tudo o mais vive em sua luz.
Assim como a melodia não se compõe de sons, nem os versos de vocábulos ou a estátua de linhas, a sua unidade só poderia ser reduzida a uma multiplicidade por um retalhamento ou um dilaceramento, assim também o homem a quem digo TU. Posso extrair a cor de seus cabelos, o matiz de suas palavras ou de sua bondade; devo fazer isso sem cessar, porém ele já não é mais meu TU.(...) O homem a quem digo TU não encontro em algum tempo ou lugar. Eu posso situá-lo, sou, aliás, obrigado a fazê-lo constantemente, mas então, ele não é mais um TU e sim um ELE ou ELA, um ISSO.O TU encontra-se comigo por graça; não é através de uma procura que é encontrado. Mas endereçar-lhe a palavra-princípio é um ato de meu ser, meu ato essencial.O TU encontra-se comigo. Mas sou eu quem entra em relação imediata com ele. Tal é a relação, o ser escolhido e o escolher, ao mesmo tempo ação e paixão. Com efeito, a ação do ser em sua totalidade como suspensão de todas as ações parciais, bem como dos sentimentos de ação, baseados em sua limitação, deve assemelhar-se a uma passividade.
A palavra princípio EU-TU só pode ser proferida pelo ser na sua totalidade. A união e a fusão em um ser total não pode ser realizada por mim e nem pode ser efetivada sem mim. O EU se realiza na relação com o TU; é tornando EU que digo TU.Toda a vida atual é encontro.A relação com o TU é imediata. Entre o EU e o TU não se interpõe nenhum jogo de conceitos, nenhum esquema, nenhuma fantasia; e a própria memória se transforma no momento em que passa dos detalhes à totalidade. Entre EU e o TU não há fim algum, nenhum avidez ou antecipação; e a própria aspiração se transforma no momento em que passa do sonho à realidade. Todo meio é obstáculo. Somente na medida em que todos os meios são abolidos acontece o encontro.(...) O instante atual e plenamente presente, dá-se somente quando existe presença, encontro, relação. Somente na medida em que o TU se torna presente a presença se instaura.O EU da palavra-princípio EU-ISSO, o EU, portanto, com o qual nenhum TU está face-a-face presente em pessoa, mas que é cercado por uma multiplicidade de conteúdos tem só passado, e de forma alguma presente. Em outras palavras, na medida em que o homem se satisfaz com as coisas que experiencia e utiliza, ele vive no passado e seu instante é privado de presença. Ele só tem diante de si objetos, e estes são fatos do passado. Objeto não é duração, mas estagnação, parada, interrupção, enrigecimento, desvinculação, ausência de relação, ausência de presença. O essencial é vivido na presença, as objetividades no passado.
Relação é reciprocidade. Meu TU atua sobre mim assim como eu atuo sobre ele. O mundo do ISSO é coerente no espaço e no tempo.
O mundo do TU não tem coerência nem no espaço nem no tempo.
Os momentos de encontro com o TU se manifestam como episódios singulares, lírico-dramáticos, sem dúvida, de um encanto sedutor, mas que, no entanto, nos induzem perigosamente a extremos que debilitam a solidez já provada, e deixam atrás deles mais questões que satisfações, abalando nossa segurança. Eles não são só inquietantes, mas indispensáveis.
Por que devemos, após esses momentos, voltar ao "mundo" do ISSO, por que não permanecer no TU? (...) E com toda a seriedade da verdade, ouça: o homem não pode viver sem o ISSO, mas aquele que vive somente com o ISSO não é homem."

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- Trechinhos mágicos de 'Eu e Tu', de Martin Buber.
Desde que li este livro, me apaixonei pela definição das relações humanas de Buber, mas contraditoriamente, venho à procura desse Tu... Então eis que a vida esfregou na minha cara o quanto ele estava certo quanto à inútil procura (mas inevitável), e o Tu me encontrou sem nem ao menos um dos dois procurar...
Nada define melhor certos momentos do que Eu e Tu, figura e literalmente falando, amor...